Não é fácil torcer pela Argentina num país como o Brasil. Não que exista alguma impossibilidade técnica, já que estamos num país livre. Livre? Então porque estranham tanto que alguém simpatize mais com a cultura de outros países do que a sua própria? Talvez não mais do que, mas tanto quanto. Deveria ser no mínimo, aceitável. Acredito que o problema seja a Argentina, diante da rivalidade cultivada todo esse tempo no futebol… e o que eu tenho com isso? Ah sim! Pois é!
Não que o espanto e a indignação partam apenas dos brasileiros. Sabemos que é sim, absolutamente recíproco. A questão não é a nacionalidade, mas a restrição cultural, fruto do patriotismo prepotente, seja ele de onde for. Não é porque vivemos em um meio que estamos de acordo com ele, assim como não é porque vivenciamos determinada cultura em determinado lugar que não possamos gostar de outra, e querer mantê-la por perto.
Assim eu poderia explicar minha simpatia gratuita pela Argentina. Obviamente, não sou especialista em cultura portenha, mas uma grande simpatizante, que tudo que conheceu até agora, adorou. E isso acabou se refletindo também no esporte. Sempre que tenho oportunidade, torço por ela. Como aconteceu nesse último domingo, num dos jogos da Copa do Mundo de Futsal da Fifa, aqui em Brasília. E é sempre a mesma pergunta: mas porque a Argentina? Por que pergunto eu! Por que eu tenho que ter motivo pra torcer por alguém? Eu não poderia simplesmente gostar? Qual é o motivo que leva tantas pessoas a serem fanáticas por seus times? A propósito, alguém reflete sobre isso na hora de escolher um time? Será que as pessoas se sentam, pensam, enumeram algumas razões para torcer por determinado time e listam prós e contras na escolha daquele? Achei que isso fosse uma questão de afinidade, seja ela hereditária ou não.
E a minha é assim, absolutamente empática e incondicional. Algum problema?

